O Que é IFIX: O Guia Completo do Índice de Fundos Imobiliários da B3

Termômetro financeiro dourado medindo o crescimento em frente a prédios desfocados, simbolizando o IFIX da B3.

O IFIX é o Índice de Fundos de Investimentos Imobiliários da B3, criado para medir o desempenho médio das cotações e dos rendimentos dos principais fundos negociados na bolsa brasileira. Ele funciona como uma carteira teórica que reflete a média do mercado, servindo como a principal referência (benchmark) para os investidores avaliarem se seus próprios fundos estão apresentando bons resultados ao longo do tempo.

Principais pontos

  • O IFIX funciona como um termômetro do mercado de FIIs no Brasil, semelhante ao que o Ibovespa representa para o mercado de ações.
  • Ele é um Índice de Retorno Total, o que significa que sua pontuação contabiliza tanto a oscilação de preço das cotas quanto o reinvestimento automático dos dividendos.
  • A carteira do índice é atualizada a cada quatro meses, priorizando fundos com alta liquidez e excluindo ativos negociados por menos de um real.
  • Historicamente, o IFIX apresenta forte sensibilidade à taxa Selic, com investidores exigindo maiores descontos nas cotas quando os juros sobem.
  • Não é possível investir diretamente no IFIX, mas o investidor pode replicar sua rentabilidade por meio de um ETF negociado na B3.

O que é o IFIX na B3?

O IFIX funciona como o principal indicador de desempenho dos Fundos Imobiliários no Brasil. Da mesma forma que os noticiários utilizam o Ibovespa para dizer se a bolsa de valores subiu ou caiu, o mercado financeiro utiliza o IFIX para monitorar a saúde e o humor do setor imobiliário listado na B3.

A característica mais importante deste indicador é que ele é um Índice de Retorno Total. Índice de Retorno Total é um indicador matemático que assume que todos os proventos distribuídos pelos ativos que o compõem são imediatamente reinvestidos na compra de mais cotas. Ou seja, a pontuação do IFIX não acompanha apenas a valorização ou desvalorização de preço na tela da corretora, mas também embute a renda passiva gerada pelos fundos ao longo do tempo.

Isso importa muito para o investidor. Comparar a rentabilidade de um FII individual olhando apenas para o histórico do seu preço gera uma distorção grave, pois a maior parte do ganho do investidor de imóveis vem dos aluguéis recebidos. Como o IFIX já inclui a distribuição de dividendos na sua conta, ele se torna a régua perfeita para avaliar o retorno completo de uma carteira de fundos.

Como funciona a composição do IFIX?

A composição do IFIX é baseada em uma carteira teórica definida pela B3, que é rebalanceada três vezes ao ano (nos meses de janeiro, maio e setembro). A bolsa aplica filtros rigorosos para garantir que apenas os fundos mais relevantes e acessíveis entrem no cálculo.

Para fazer parte da lista, o fundo precisa cumprir alguns critérios de liquidez e presença no mercado. Liquidez é a facilidade com que um investidor consegue comprar ou vender um ativo sem alterar drasticamente o seu preço. A B3 exige que o FII esteja presente em 95% dos pregões do período analisado e proíbe a entrada das chamadas penny stocks (cotas negociadas abaixo de R$ 1,00).

Dentro da carteira teórica, o peso de cada FII é definido pelo valor de mercado de suas cotas livres para negociação. Cotas livres, também conhecidas como Free Float, representam a parcela do patrimônio do fundo que não está nas mãos de controladores, garantindo que o índice reflita o que está realmente disponível para o investidor comum.

Para dar um exemplo concreto da dimensão deste mercado, em junho de 2026, uma simulação do Oráculo baseada na composição atual do IFIX acompanhava 106 fundos. Juntos, os FIIs dessa cesta distribuíam aproximadamente R$ 1,59 bilhão em rendimentos todos os meses. Na mesma data de referência, a mediana do DY Mercado (rendimento acumulado em 12 meses dividido pela cotação) dos fundos do índice estava em 13,15% ao ano.

A tabela abaixo mostra quanto cada segmento pesa na carteira teórica vigente do IFIX:

#SegmentoNº de
fundos
Peso no
IFIX
Proporção
1Recebíveis3834,92%██████████████
2Logística1118,06%███████
3Shoppings912,23%█████
4Multiestratégia148,38%███
5Híbrido67,16%███
6Lajes Corporativas136,79%███
7Renda Urbana36,38%███
8Fundo de Fundos62,10%
9Agronegócio21,38%
10Desenvolvimento21,26%
11Energia/Infra10,59%
12Hotéis10,24%

Peso dos segmentos no IFIX, FIIs do IFIX, rebalanceamento de maio de 2026. Segmentação editorial do Oráculo de FIIs (a B3 não divide o índice por segmento). Pesos da carteira teórica, fixados no último rebalanceamento quadrimestral. Lista factual, não é recomendação.

E esta é a composição completa do índice, fundo a fundo, com o peso de cada um no último rebalanceamento:

#FundoSegmentoPeso no IFIX
1KNCR11Recebíveis7,02%
2KNIP11Recebíveis4,66%
3XPML11Shoppings4,45%
4BTLG11Logística4,43%
5HGLG11Logística4,09%
6TRXF11Renda Urbana3,52%
7XPLG11Logística3,19%
8KNRI11Híbrido2,92%
9MXRF11Recebíveis2,81%
10VISC11Shoppings1,96%
11KNHY11Recebíveis1,93%
12HGRU11Renda Urbana1,90%
13CPTS11Multiestratégia1,79%
14HGBS11Shoppings1,65%
15GARE11Híbrido1,50%
16IRIM11Recebíveis1,44%
17KNUQ11Recebíveis1,40%
18RECR11Recebíveis1,37%
19GGRC11Logística1,37%
20BRCO11Logística1,31%
21PVBI11Lajes Corporativas1,27%
22HSML11Shoppings1,26%
23KNHF11Multiestratégia1,21%
24BTHF11Multiestratégia1,20%
25KNSC11Recebíveis1,15%
26ALZR11Híbrido1,13%
27LVBI11Logística1,08%
28RZTR11Agronegócio1,04%
29MCCI11Recebíveis1,02%
30TGAR11Desenvolvimento0,99%
31RBVA11Renda Urbana0,96%
32VILG11Logística0,95%
33HFOF11Fundo de Fundos0,95%
34TVRI11Híbrido0,95%
35HGRE11Lajes Corporativas0,95%
36PMLL11Shoppings0,95%
37HGCR11Recebíveis0,95%
38PCIP11Recebíveis0,91%
39VGIR11Recebíveis0,89%
40RBRR11Recebíveis0,85%
41JSRE11Lajes Corporativas0,83%
42RBRX11Multiestratégia0,80%
43BRCR11Lajes Corporativas0,78%
44VRTA11Recebíveis0,75%
45RBRY11Recebíveis0,73%
46VCJR11Recebíveis0,73%
47HSLG11Logística0,73%
48PSEC11Multiestratégia0,71%
49VGHF11Multiestratégia0,69%
50MCRE11Multiestratégia0,67%
51GTWR11Lajes Corporativas0,64%
52VGIP11Recebíveis0,60%
53SNEL11Energia/Infra0,59%
54GZIT11Shoppings0,58%
55BTCI11Recebíveis0,58%
56CPSH11Shoppings0,52%
57RZAK11Recebíveis0,47%
58XPCI11Recebíveis0,45%
59BROF11Lajes Corporativas0,45%
60KORE11Lajes Corporativas0,43%
61BPML11Shoppings0,43%
62BBIG11Shoppings0,43%
63RBRP11Híbrido0,40%
64HABT11Recebíveis0,39%
65JSAF11Recebíveis0,38%
66KFOF11Fundo de Fundos0,36%
67TRBL11Logística0,36%
68RBRL11Logística0,35%
69ITRI11Multiestratégia0,34%
70BTAL11Agronegócio0,33%
71RCRB11Lajes Corporativas0,32%
72AFHI11Recebíveis0,29%
73FATN11Lajes Corporativas0,28%
74MFII11Desenvolvimento0,27%
75VINO11Lajes Corporativas0,26%
76RZAT11Híbrido0,26%
77HCTR11Recebíveis0,26%
78CLIN11Recebíveis0,25%
79BCRI11Recebíveis0,24%
80HTMX11Hotéis0,24%
81CACR11Recebíveis0,24%
82SNCI11Recebíveis0,24%
83ICRI11Recebíveis0,24%
84TEPP11Lajes Corporativas0,23%
85URPR11Recebíveis0,22%
86BCIA11Fundo de Fundos0,22%
87MANA11Multiestratégia0,22%
88VRTM11Multiestratégia0,21%
89LIFE11Recebíveis0,21%
90KCRE11Recebíveis0,21%
91CYCR11Recebíveis0,20%
92DEVA11Recebíveis0,20%
93AZPL11Logística0,20%
94KISU11Fundo de Fundos0,20%
95PORD11Recebíveis0,20%
96SNFF11Fundo de Fundos0,19%
97TOPP11Lajes Corporativas0,19%
98RPRI11Recebíveis0,18%
99WHGR11Multiestratégia0,18%
100XPSF11Fundo de Fundos0,18%
101OUJP11Recebíveis0,17%
102VGRI11Lajes Corporativas0,14%
103HSAF11Multiestratégia0,13%
104RBFM11Multiestratégia0,12%
105SPXS11Multiestratégia0,11%
106KIVO11Recebíveis0,09%

Composição do IFIX por peso, FIIs do IFIX, rebalanceamento de maio de 2026. Pesos da carteira teórica da B3, fixados no último rebalanceamento quadrimestral; a participação de cada fundo varia diariamente com os preços. Lista factual, não é recomendação.

O que faz a cotação do IFIX subir ou cair?

Diversos fatores movimentam as cotas dos fundos e, consequentemente, a pontuação do índice. A perspectiva macroeconômica, a inflação e a vacância dos imóveis afetam o mercado. Vacância é o percentual de espaço vazio em um imóvel que não está gerando aluguel. No entanto, o principal motor de alta ou baixa do IFIX é a taxa básica de juros (Selic).

A Relação entre IFIX e Selic

Existe uma correlação historicamente negativa entre os juros e os Fundos Imobiliários. Quando a taxa Selic sobe, a atratividade da renda fixa aumenta, pois ela passa a pagar mais com baixíssimo risco. Isso faz com que os investidores retirem dinheiro da renda variável (incluindo os FIIs) para aplicar no Tesouro Direto ou em CDBs. Com mais gente vendendo as cotas, os preços caem e o IFIX recua.

Essa dinâmica pode ser observada no indicador P/VP. O P/VP (Preço sobre Valor Patrimonial) é uma métrica que compara o valor da cota na bolsa com o valor real dos ativos do fundo. Segundo dados do Oráculo entre julho de 2023 e junho de 2026, a correlação entre o nível da Selic meta e o P/VP mediano de uma cesta proxy do IFIX foi de -0.53. Correlação negativa significa que, de modo geral, juros mais altos conviveram com fundos mais descontados em relação ao seu patrimônio neste período.

No recorte dessa janela, a Selic encerrou o período em 14,25% ao ano (junho de 2026). Nas duas pontas analisadas pelo Oráculo (quando a taxa passou de 13,75% para 14,25%), o P/VP mediano dos fundos dessa cesta recuou de 0,95 para 0,88, indicando que o mercado exigiu um desconto maior nas cotas para compensar a concorrência com a renda fixa superando 14%.

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O mercado chama isso de exigência de prêmio de risco. Prêmio de risco é a rentabilidade extra que o investidor demanda acima da taxa livre de risco (como o CDI) para aceitar as oscilações da bolsa. Para comprar um fundo imobiliário com a Selic alta, o investidor exige que os dividendos distribuídos ofereçam uma margem generosa contra a renda fixa.

IFIX vs CDI e IPCA: Comparativo de Rentabilidade

Ao analisar a evolução do mercado, muitos investidores comparam o IFIX contra o CDI (a principal taxa de rentabilidade da renda fixa) e o IPCA (a inflação oficial do país).

Em uma janela de 24 meses avaliada pelo Oráculo (julho de 2024 a junho de 2026), o CDI apresentou uma rentabilidade bruta de 28,73%, enquanto o IPCA mediu uma inflação acumulada de 10,24%. A poupança (que é isenta de imposto de renda) entregou 16,60%. No mesmo período, uma cesta proxy com os fundos que hoje compõem o IFIX registrou um retorno total de 9,98%, resultando em uma rentabilidade real (acima da inflação) levemente negativa de -0,24%.

É fundamental reforçar que essa cesta do Oráculo é uma aproximação (calculada com a composição atual ponderada por valor de mercado e com proventos reinvestidos), e não o índice oficial publicado pela bolsa. Além disso, rentabilidade passada não garante retorno futuro. Prazos curtos costumam penalizar a renda variável durante ciclos de alta de juros (como refletido na Selic de 14,25%), gerando volatilidade na cotação. No longo prazo, contudo, fundos atrelados a imóveis reais e contratos com reajustes pelo IPCA têm o objetivo de preservar o poder de compra do investidor.

ETF do IFIX: Como investir no índice de forma prática

Como o IFIX é apenas um cálculo matemático, o investidor não consegue abrir a corretora e digitar as letras IFIX no home broker para comprar o índice. Para facilitar a vida de quem deseja seguir essa média do mercado, surgiram os ETFs.

ETF (Exchange Traded Fund) é um fundo de investimento negociado em bolsa que tem como único objetivo replicar a carteira e a rentabilidade de um índice específico. Ao comprar a cota de um ETF do IFIX, você passa a ser dono de uma pequena fração de todos os fundos daquela carteira teórica simultaneamente.

Um dos principais ETFs disponíveis na B3 atrelados ao mercado imobiliário é o XFIX11 (Trend ETF IFIX). De acordo com os informes diários de julho de 2026, este fundo possuía 17.424 cotistas e um patrimônio líquido de R$ 53,3 milhões. O custo do produto para o investidor é uma taxa de administração de 0,29% ao ano.

A característica mais marcante do XFIX11 é que, ao contrário dos FIIs tradicionais, o ETF não paga dividendos mensais na sua conta. Quando os 106 fundos imobiliários que estão dentro do XFIX11 distribuem os aluguéis, o próprio gestor do ETF retém esse dinheiro e compra mais cotas de fundos. Isso faz com que o patrimônio cresça de forma composta, tornando a cota do ETF um ativo de acumulação de capital. Como resultado desse mecanismo e das variações de mercado, o retorno de preço do XFIX11 nos 12 meses encerrados em julho de 2026 foi de 10,85%.

FAQ: Perguntas Frequentes

O que é o Índice IFIX?

O IFIX é o índice oficial da B3 que mede o desempenho médio dos principais Fundos Imobiliários negociados no Brasil. Ele é um índice de retorno total, o que significa que sua pontuação reflete tanto a variação do preço das cotas quanto o reinvestimento dos dividendos pagos pelos fundos.

Quais são os fundos do IFIX?

A lista de fundos do IFIX muda a cada quatro meses (janeiro, maio e setembro). A B3 inclui os fundos mais negociados e de maior liquidez do mercado, exigindo presença em quase todos os pregões e excluindo cotas negociadas abaixo de R$ 1 (as chamadas penny stocks).

O que faz o IFIX subir?

O principal motor de alta do IFIX costuma ser a queda na taxa Selic e nos juros futuros. Quando a renda fixa passa a pagar menos rendimentos, os investidores migram seu dinheiro para os Fundos Imobiliários em busca de maiores ganhos, o que aumenta a demanda compradora e eleva os preços das cotas que compõem o índice.

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Marcelo Fayh

Marcelo Fayh é analista de investimentos certificado (CNPI) e consultor de investimentos credenciado na CVM, fundador da US Wealth Consultoria de Investimentos (também credenciada na CVM).

Atua no mercado financeiro desde 2005: foi sócio de um escritório de agentes autônomos por quase 9 anos, trabalhou com M&A por 4 anos e é analista e consultor de investimentos há mais de 7 anos, especializado em Fundos Imobiliários (FIIs) e ETFs. É autor do livro Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda.

No blog, traduz os documentos oficiais dos fundos — fatos relevantes, relatórios gerenciais e informes — em análises acessíveis.

O conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento.

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