BTLG11 assina acordo para comprar galpões da Amazon e Mercado Livre por R$ 918,5 milhões

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Vista aérea de um galpão logístico moderno, representando os novos ativos do fundo BTLG11 locados para grandes empresas.

O fundo imobiliário BTG Pactual Logística (BTLG11) anunciou na terça-feira, 3 de setembro de 2026, a assinatura de um Memorando de Entendimentos para a compra de três ativos logísticos de alto padrão. O valor total estimado para o negócio é de R$ 918,5 milhões, representando uma das movimentações mais expressivas do fundo neste ano.

A transação envolve propriedades ocupadas por gigantes do comércio eletrônico, especificamente Amazon e Mercado Livre. Os galpões somam mais de 182 mil metros quadrados de área locável e estão localizados em pontos estratégicos para o escoamento de mercadorias no Brasil.

  • Valor estimado: R$ 918.500.000,00
  • Inquilinos: Amazon e Mercado Livre
  • Cap Rate estimado: 9,0%
  • Yield médio projetado (24 meses): 12,6%

Detalhes dos imóveis e estrutura de pagamento

O portfólio que o BTLG11 pretende comprar é composto por três ativos classificados como AAA, ou seja, com o padrão construtivo mais alto do mercado. Dois desses imóveis estão no Estado de São Paulo, sendo um no raio de 30 quilômetros e outro no raio de 60 quilômetros da capital paulista. O terceiro ativo fica na região metropolitana de Curitiba, no Paraná.

A composição do negócio mescla imóveis prontos e em obras. Um dos ativos já está concluído e totalmente alugado. Os outros dois estão em fase de desenvolvimento, com previsão de entrega em até seis meses após o fechamento da transação. Estes últimos foram desenhados sob o formato Built to Suit (BTS), que é um modelo de contrato onde o imóvel é construído sob medida para atender às necessidades específicas do futuro inquilino.

O pagamento dos R$ 918,5 milhões será dividido em duas partes principais. O fundo pagará 70% do valor à vista, o que corresponde a R$ 642,9 milhões. Os 30% restantes, equivalentes a R$ 275,5 milhões, serão pagos em até 12 meses. Esse saldo devedor será corrigido pela inflação (IPCA) mais uma taxa de 6,0% ao ano.

Além disso, o documento destaca que os valores desembolsados pelo fundo para os imóveis que ainda estão em obras serão remunerados mensalmente. Essa remuneração será baseada na variação do IPCA mais 11,0% ao ano até que as construções sejam concluídas. O acordo também prevê garantias para proteger o fundo contra atrasos e riscos comuns no desenvolvimento imobiliário.

Contexto do BTLG11 e destinação de recursos

A compra destes três ativos faz sentido no atual momento de caixa do BTLG11. Recentemente, em meados de 2026, o fundo concluiu a sua 16ª emissão de cotas, onde conseguiu captar aproximadamente R$ 1,8 bilhão no mercado. Grande parte desses recursos aguardava a finalização de negociações e diligências para ser efetivamente aplicada em novos imóveis.

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Sendo um Fundo Imobiliário de Logística focado em galpões industriais e centros de distribuição, o BTLG11 possui uma base robusta. De acordo com os dados de julho de 2026, o fundo conta com mais de 515 mil cotistas e um patrimônio líquido de R$ 7,58 bilhões. Na mesma data, o fundo apresentava um indicador P/VP de 0,93, sugerindo que suas cotas estavam sendo negociadas com desconto em relação ao valor contábil dos seus ativos.

O que isso significa para o cotista

Para o investidor do BTLG11, a potencial conclusão desta compra demonstra a agilidade da gestão em alocar o dinheiro captado na última oferta pública. Deixar muito dinheiro parado em renda fixa costuma ser uma preocupação para cotistas de fundos de tijolo, já que o objetivo principal do fundo é gerar renda com o aluguel de imóveis reais.

A atratividade financeira do negócio também é um ponto de destaque. O fundo estima um Cap Rate de aproximadamente 9,0% para a transação. Essa métrica indica o retorno percentual anual gerado pelos aluguéis em relação ao valor pago na compra. Além disso, a engenharia financeira do pagamento parcelado elevou o yield médio estimado sobre o capital investido para cerca de 12,6% nos próximos 24 meses.

Vale lembrar que os números atuais de rentabilidade do fundo mostram um Dividend Yield Mercado de 9,52% e um DY Patrimonial de 8,98%, ambos referentes ao acumulado de 12 meses até julho de 2026. A chegada de novos inquilinos de primeira linha como Amazon e Mercado Livre tende a reforçar a segurança das receitas do fundo no longo prazo, diluindo ainda mais os riscos de inadimplência e vacância.

Próximos passos

A compra ainda não está totalmente fechada. O documento assinado é um Memorando de Entendimentos, que não possui caráter vinculante. A finalização do negócio depende do cumprimento de etapas habituais no mercado imobiliário, como a realização de diligências técnicas, aprovações regulatórias e a assinatura dos contratos definitivos. O mercado acompanhará de perto a evolução desta transação bilionária nos próximos meses.

Fonte: Comunicado ao Mercado divulgado em 03/09/2026 no Fundos.NET, sistema de divulgação de informações da B3/CVM. Ver documento oficial (PDF) →

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Este texto tem caráter estritamente informativo e educativo, não constituindo recomendação de compra ou venda de cotas do BTLG11. Os dados de rentabilidade passados não são garantia de resultados futuros, e o investimento em FIIs envolve riscos. As estimativas de yield e cap rate baseiam-se em projeções sujeitas a alterações de mercado. Consulte sempre profissionais habilitados antes de tomar decisões financeiras.

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Marcelo Fayh

Marcelo Fayh é analista de investimentos certificado (CNPI) e consultor de investimentos credenciado na CVM, fundador da US Wealth Consultoria de Investimentos (também credenciada na CVM).

Atua no mercado financeiro desde 2005: foi sócio de um escritório de agentes autônomos por quase 9 anos, trabalhou com M&A por 4 anos e é analista e consultor de investimentos há mais de 7 anos, especializado em Fundos Imobiliários (FIIs) e ETFs. É autor do livro Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda.

No blog, traduz os documentos oficiais dos fundos — fatos relevantes, relatórios gerenciais e informes — em análises acessíveis.

O conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento.

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