O fundo imobiliário REC Renda Imobiliária (RECT11) comunicou ao mercado nesta sexta-feira, 4 de setembro de 2026, o cancelamento da venda de um imóvel comercial localizado na Avenida Europa, em São Paulo. A rescisão do contrato, assinado originalmente em dezembro de 2025, ocorreu devido ao descumprimento de obrigações por parte do comprador. O ativo permanecerá no portfólio do fundo e continuará locado ao mesmo indivíduo, que já era o inquilino do espaço.
- Ativo: Imóvel na Avenida Europa, 884 (São Paulo)
- Área total: 1.962,60 metros quadrados
- Nova taxa projetada: 11,40% de desocupação
- Impacto nos rendimentos: Nulo
Os detalhes sobre o cancelamento da venda
O documento publicado pela administradora Apex Group detalha que o compromisso de compra e venda havia sido celebrado no final do ano passado. O comprador, uma pessoa física, já atuava como locatário do espaço. Como a obrigação contratual não foi cumprida no prazo estipulado, a venda foi desfeita oficialmente.
O ativo em questão é um prédio não residencial de alto padrão no Jardim América, um dos bairros mais valorizados da capital paulista. A estrutura conta com três pavimentos, um ático e um subsolo exclusivo para garagem, oferecendo 34 vagas disponíveis para uso. Ao todo, o local possui uma área total licenciada de quase dois mil metros quadrados. Compreender a Área Bruta Locável é importante ao investir, pois ela representa o tamanho exato do espaço de um imóvel que pode ser explorado comercialmente para gerar receita de aluguel.
Como a venda não foi concretizada, a posse definitiva do imóvel segue com o RECT11. A boa notícia para a operação é que o espaço não ficará vazio, uma vez que o antigo comprador manterá o seu contrato de aluguel ativo, garantindo a continuidade do fluxo de caixa financeiro proveniente daquele endereço.
O contexto do RECT11 e a estratégia do fundo
O REC Renda Imobiliária atua como um fundo de lajes corporativas, categoria de investimento focada na compra e gestão de edifícios comerciais voltados para escritórios e uso empresarial de alto nível. De acordo com o relatório gerencial de julho de 2026, o fundo possui um patrimônio líquido de R$ 767,2 milhões e conta com uma base expressiva de 45.969 cotistas.
A tentativa de venda do imóvel na Avenida Europa fazia parte de uma estratégia mais ampla da equipe de gestão para gerenciar as dívidas do fundo. O RECT11 possui obrigações financeiras milionárias atreladas à compra parcelada de outros empreendimentos no passado, como o Barra da Tijuca Corporate e o Evolution Corporate. O relatório mensal aponta que o fundo encerrou julho de 2026 com obrigações por aquisições de imóveis na casa dos R$ 142,7 milhões. Para quitar essas pendências financeiras de forma saudável, a REC Gestão de Recursos tem buscado reciclar o portfólio, vendendo alguns ativos por valores alinhados aos laudos de avaliação.
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Apesar da permanência do imóvel da Avenida Europa gerar receita garantida de aluguel, o fato relevante alerta para uma mudança no cenário de ocupação geral do fundo. Considerando outras devoluções de espaços que estão em andamento em diferentes propriedades da carteira, a taxa de vacância do portfólio alcançará o patamar de 11,40%. Este indicador mede o percentual de áreas vazias que não estão gerando renda no momento, sendo crucial para avaliar a eficiência comercial de um portfólio imobiliário.
O que isso significa para o cotista
Para o investidor do RECT11, a informação mais importante do comunicado é que o cancelamento da venda não deverá resultar em impacto negativo na distribuição mensal de rendimentos. Como o imóvel continua alugado e pagando os valores em dia, a receita financeira projetada para este contrato específico permanece inalterada.
Em termos de rentabilidade, o fundo entregou um rendimento de R$ 0,45 por cota na competência de julho de 2026. Analisando os últimos doze meses até aquele período, o ativo apresentava um DY Patrimonial de 5,83%, calculado com base no valor real dos imóveis, e um DY Mercado de 14,60%, que reflete a rentabilidade proporcional ao preço da cota negociada na bolsa de valores.
Atualmente, o mercado tem avaliado as cotas do fundo com um grande desconto. Na mesma data de publicação do documento (4 de setembro de 2026), o indicador P/VP estava em 0,37. Isso demonstra que a cotação na bolsa representava apenas 37% do valor patrimonial justo da cota, que é de R$ 89,80. O desconto acentuado costuma refletir a percepção de risco dos investidores diante dos desafios que o fundo enfrenta com o pagamento de dívidas e a desocupação de grandes edifícios comerciais no eixo Rio-São Paulo.
Por fim, a administradora destacou que a equipe de gestão continua empenhada no forte esforço de locação das áreas vagas restantes e na busca ativa por novas oportunidades de venda de imóveis do portfólio, visando melhorar a estrutura de capital e o retorno aos cotistas no longo prazo.
Fonte: Fato Relevante divulgado em 04/09/2026 no Fundos.NET, sistema de divulgação de informações da B3/CVM. Ver documento oficial (PDF) →
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Este texto tem caráter estritamente informativo e educativo, não constituindo recomendação de compra, venda ou manutenção de cotas de fundos imobiliários. Os dados apresentados refletem as informações públicas fornecidas pela administradora e pelo mercado nas datas citadas. Rentabilidade passada não é garantia de rendimentos futuros.







