A gestão do fundo imobiliário HSI Logística (HSLG11) informou ao mercado, por meio de um fato relevante divulgado em 18 de agosto de 2026, que a sua locatária Casas Bahia protocolou um pedido de recuperação judicial. Apesar do atraso no pagamento do aluguel referente ao mês de agosto, a gestora confirmou que vai manter a distribuição de rendimentos no patamar de R$ 0,75 por cota, utilizando o resultado acumulado do fundo para compensar a falta de receita imediata.
- Rendimento projetado: R$ 0,75 por cota (divulgação prevista para 31/08/2026)
- Data do pedido judicial: 16 de agosto de 2026
- Data do fato relevante: 18 de agosto de 2026
- Imóveis afetados: HSI Log. Contagem (MG) e HSI Log. São José dos Pinhais (PR)
Impacto do pedido de recuperação judicial nos aluguéis do HSLG11
O processo judicial da varejista afeta diretamente dois grandes ativos do portfólio do HSLG11. O pedido de recuperação foi formalizado na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais da Comarca de São Paulo em 16 de agosto de 2026. Segundo o documento emitido pela administradora Apex Group e pela HSI Gestora, os aluguéis devidos pela Casas Bahia com vencimento em julho de 2026 foram pagos integralmente. No entanto, a obrigação financeira que venceu em agosto ainda não foi quitada.
A equipe de gestão comunicou que a locatária foi notificada sobre a inadimplência e a possível aplicação de penalidades contratuais. Apesar da falta de pagamento, a gestora destacou um ponto positivo no processo. A Casas Bahia classificou a locação desses imóveis como contratos essenciais em seu pedido judicial, o que reforça a intenção da empresa em continuar operando nos locais.
Outro detalhe importante envolve a legislação brasileira aplicável aos contratos durante uma recuperação judicial. A lei prevê que as obrigações assumidas pelo devedor após o deferimento do processo não se sujeitam aos efeitos da recuperação. Isso significa que os próximos vencimentos são considerados créditos extraconcursais e devem, em tese, ser pagos normalmente ao fundo.
Estratégia de diversificação e o contexto do HSI Logística
O HSLG11 é um FII de logística com foco na operação de galpões de alto padrão. A exposição à Casas Bahia é muito representativa para o fundo. De acordo com o relatório gerencial de julho de 2026, a varejista responde por 30,9% da receita contratada total do portfólio. Os dois galpões locados para a companhia possuem, somados, mais de 166 mil metros quadrados de área bruta locável, sendo estruturas fundamentais para a geração de caixa.
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Sabendo da grande concentração de receita em um único inquilino, a gestão já vinha tomando medidas de precaução. Em abril de 2025, o fundo havia assinado aditivos contratuais para iniciar a transformação desses ativos em galpões multiusuários. Essa mudança física e jurídica permite que o fundo alugue frações do galpão para outras empresas, reduzindo gradativamente a área ocupada pela Casas Bahia e, consequentemente, diminuindo o risco de dependência.
Atualmente, o HSLG11 conta com 42.009 cotistas e detém um patrimônio líquido de R$ 1,39 bilhão, segundo dados de julho de 2026. O valor patrimonial por cota está na casa dos R$ 110,07. No mercado secundário, o fundo vem sendo negociado com um indicador P/VP de 0,72, o que reflete um desconto em relação ao valor contábil dos seus ativos imobiliários.
O que o uso de reservas significa para o cotista do fundo
A decisão de manter os rendimentos em R$ 0,75 por cota na próxima divulgação, mesmo com a inadimplência de um inquilino que representa quase um terço das receitas, ilustra a importância de uma gestão ativa eficiente. Fundos imobiliários têm a flexibilidade de reter uma pequena parcela dos lucros auferidos ao longo dos semestres anteriores, criando um caixa de contingência (resultado acumulado).
Para o cotista, isso significa uma proteção no curto prazo contra solavancos inesperados na distribuição de lucros. Ao utilizar o resultado acumulado para cobrir o buraco deixado pela inadimplência do mês de agosto, a gestora ganha tempo para negociar os próximos passos legais sem penalizar imediatamente o fluxo de caixa do investidor. Esse mecanismo ajuda a absorver impactos pontuais enquanto medidas mais estruturais, como ações de cobrança ou a busca por novos inquilinos, são implementadas nos bastidores.
Contudo, é fundamental compreender que as reservas de lucros não são infinitas. Caso o processo de recuperação judicial arraste a inadimplência por um período prolongado e o fundo não consiga reocupar as áreas ociosas de forma ágil, os rendimentos mensais futuros poderão sofrer ajustes proporcionais à nova realidade das receitas.
A administradora e a gestora do HSLG11 reforçaram o compromisso com a transparência e prometeram manter o mercado atualizado sobre quaisquer desdobramentos adicionais envolvendo os contratos da Casas Bahia nos próximos meses.
Fonte: Fato Relevante divulgado em 18/08/2026 no Fundos.NET, sistema de divulgação de informações da B3/CVM. Ver documento oficial (PDF) →
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Este texto tem caráter estritamente informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de cotas do fundo HSLG11. Decisões de investimento devem ser tomadas com base em análises cuidadosas e no perfil de risco de cada investidor. Valores passados não garantem resultados futuros.







