ETFs que Pagam Dividendos Mensais: Ranking e Guia Completo na B3

Tablet com gráfico financeiro ascendente rodeado por pilhas de moedas douradas simbolizando renda passiva e ETFs de dividendos.

Sim, desde o início de 2023, a B3 permite que os ETFs brasileiros distribuam dividendos mensais ou periódicos diretamente na conta da corretora dos investidores. Antes dessa mudança regulatória, todos os fundos de índice no Brasil eram obrigados a reinvestir os proventos automaticamente no próprio fundo, o que impedia o investidor de receber dinheiro vivo (renda passiva) na conta. Com a nova regra, tornou-se possível montar uma carteira focada em geração de caixa mensal utilizando a diversificação dos ETFs, uma estratégia que antes era restrita quase exclusivamente às ações e aos fundos imobiliários.

Principais pontos

  • Os ETFs brasileiros agora podem pagar dividendos diretamente na sua conta, criando uma nova opção para quem busca renda passiva recorrente.
  • Existem duas fontes de renda nos ETFs atuais: os dividendos genuínos (repasses de lucros das empresas) e os dividendos sintéticos (renda gerada por meio de operações com opções).
  • Diferente dos Fundos Imobiliários, os dividendos distribuídos por ETFs na B3 não são isentos e sofrem uma tributação de 15% de Imposto de Renda retido na fonte.
  • Ativos com foco no exterior, como o SPYI11, permitem receber rendimentos em dólar (convertidos para reais) sem precisar abrir conta fora do país.

ETF paga dividendos? Entenda a nova regra da B3

Exchange Traded Fund (ETF) é um fundo de investimento negociado na bolsa de valores como se fosse uma ação, cujo objetivo é replicar o desempenho de um índice de referência. Durante muitos anos, o mercado brasileiro adotou um formato fechado para a distribuição de proventos. Se um ETF investisse em empresas do Ibovespa que pagassem grandes dividendos, o gestor do fundo pegava esse dinheiro e comprava mais ações para o próprio fundo. O investidor ganhava apenas com a valorização da cota ao longo do tempo.

Essa dinâmica mudou drasticamente em janeiro de 2023. A B3, bolsa de valores brasileira, alterou seu regulamento para permitir que os ETFs Brasileiros na B3 pagassem dividendos em dinheiro diretamente aos cotistas. Essa mudança abriu as portas para o lançamento de novos produtos focados exclusivamente na distribuição de renda passiva recorrente.

Para o investidor pessoa física, essa novidade resolveu um dilema histórico. Antes, quem desejava o pinga-pinga mensal na conta precisava recorrer quase obrigatoriamente aos FIIs ou montar uma carteira complexa de ações individuais. Hoje, com a compra de uma única cota de um ETF pagador de dividendos, é possível se expor a dezenas ou centenas de empresas diferentes e ainda receber pagamentos periódicos.

Dividendos Genuínos vs. Sintéticos: O que você precisa saber

Quando falamos de ETFs de renda, existe uma divisão fundamental no mercado brasileiro que muitos investidores iniciantes desconhecem. Os fundos podem gerar dinheiro para os cotistas de duas formas completamente diferentes.

Dividendos Genuínos são aqueles originados do lucro real das empresas que compõem a carteira do fundo. Um ETF que segue essa estratégia, como o NDIV11, compra ações de empresas conhecidas por serem boas pagadoras (como bancos e elétricas). Quando essas empresas distribuem lucros, o ETF simplesmente recolhe esse dinheiro e o repassa para você. É um fluxo natural, dependente da saúde financeira e da política de remuneração das empresas do índice.

Dividendos Sintéticos são rendimentos fabricados por meio de operações financeiras no mercado de derivativos, especificamente com opções de compra (call options). ETFs como o SPYI11 e o QQQI11 utilizam uma estratégia chamada venda de calls cobertas. Na prática, o fundo possui as ações e vende o direito de outra pessoa comprar essas ações por um preço pré-determinado no futuro. Ao vender esse direito, o fundo recebe um prêmio em dinheiro vivo (o chamado dividendo sintético), que é distribuído aos cotistas.

A vantagem da estratégia sintética é que ela costuma entregar um Dividend Yield muito maior e mais previsível, mesmo em mercados laterais ou em leve queda. O lado negativo é que essa operação limita o potencial de ganho de capital. Em um cenário hipotético ilustrativo, se o mercado de ações subir 20% em um mês, o ETF com dividendos sintéticos pode subir apenas 5% ou 10%, pois ele assumiu o compromisso de vender suas ações por um preço mais baixo no mercado de opções. É uma troca clara: o investidor abre mão de parte da valorização em troca de uma renda mensal alta e constante.

Quais ETFs no Brasil pagam dividendos mensais? (Ranking de DY)

O mercado de ETFs pagadores ainda é recente no Brasil, mas já apresenta opções muito rentáveis. Abaixo, apresentamos a lista factual dos ETFs que mais pagaram dividendos nos últimos 12 meses, com base em dados de julho de 2026. É importante notar que o Dividend Yield (DY) do mercado calcula os proventos oficiais pagos nos últimos 12 meses divididos pela cotação atual do ativo.

Um detalhe crucial sobre este ranking é a presença de ETFs de criptomoedas no topo. Ativos como COIN11 e ETHY11 também passaram a distribuir renda baseada em operações no mercado cripto, mas possuem um risco de volatilidade absurdamente maior do que os fundos de ações tradicionais. Valores passados não garantem resultados futuros e o DY alto isoladamente não significa que o fundo é um bom investimento.

PosiçãoTickerCategoria PrincipalDividend Yield
(12M)*
COIN11Alternativos (Cripto)39,26%
ETHY11Alternativos (Cripto)28,24%
XBCI11Alternativos (Cripto)15,89%
QQQI11Ações EUA (Temáticos)13,04%
IWMI11Ações EUA (Geral)12,83%
AURO11Alternativos (Ouro/Ativos Financeiros)12,28%
SPYI11Ações EUA (Geral)11,10%
CASA11REITs (Geral)10,30%
GDIV11Ações Internacionais (Mundo)7,24%
10ºPIPE11Ações EUA (Temáticos)5,73%

*Referência dos dados: julho de 2026. O DY considera apenas os rendimentos distribuídos sobre o preço, sem contabilizar a variação da cota (ganho ou perda de capital).

Além da rentabilidade, é fundamental observar a liquidez e a aceitação do mercado. Um fundo com muitos cotistas tende a ter maior facilidade de compra e venda na bolsa. Veja o ranking de popularidade, também com dados de julho de 2026:

  • COIN11: 29.650 cotistas.
  • DIVD11: 26.672 cotistas (Ações Brasileiras).
  • SPYI11: 22.186 cotistas (Ações EUA).
  • NDIV11: 21.341 cotistas (Ações Brasileiras).
  • QQQI11: 14.955 cotistas (Ações EUA Temáticos).

Vale ressaltar que o investidor também encontra na B3 os BDRs de ETFs estrangeiros (recibos de fundos negociados nos Estados Unidos, como o BDVD39). Esses ativos também podem pagar proventos periódicos, ampliando ainda mais o leque de escolhas para quem deseja renda passiva dolarizada, embora obedeçam a regras tributárias ligeiramente diferentes.

Raio-X dos Melhores ETFs que Pagam Dividendos

Para entender melhor a dinâmica desses produtos, vamos detalhar as características dos fundos de índice mais populares do mercado brasileiro atualmente. A análise não é uma recomendação de compra, mas um estudo sobre as diferentes estratégias adotadas pelos gestores.

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NDIV11 (Nubank Ibov Smart Dividendos)

O NDIV11 é um ETF gerido pela Nu Asset que tem como objetivo investir nas ações do Ibovespa que mais pagam proventos. Ele utiliza uma metodologia focada em dividendos genuínos. Em vez de comprar todas as ações do índice brasileiro, o fundo filtra os 25% maiores pagadores de dividendos do Ibovespa e concentra seus aportes nessas companhias.

Em meados de julho de 2026, o NDIV11 contava com um patrimônio líquido de 186,3 milhões de reais e taxa de administração de 0,50% ao ano. Nos doze meses anteriores a essa data, o fundo distribuiu o equivalente a 6,83 reais por cota, o que representava um Dividend Yield de 5,53% em relação à cotação vigente de 123,41 reais. Ao mesmo tempo, a cota teve uma valorização de preço de 15,40% no mesmo período (sem contar os dividendos), mostrando que a estratégia genuína permite aproveitar os ciclos de alta do mercado local.

DIVD11 (Itaú Smart Dividendos)

O DIVD11, gerido pela Itaú Asset, é o principal concorrente direto do NDIV11. Ele possui uma metodologia muito semelhante, focada em filtrar as empresas brasileiras grandes e consolidadas que apresentam o maior volume de distribuição de lucros. Ambos são excelentes portas de entrada para quem deseja receber os lucros de bancos, elétricas e empresas de saneamento sem precisar analisar o balanço de cada companhia individualmente.

SPYI11 e QQQI11 (Estratégia de Renda e Opções)

Se você busca entender como funciona um ETF internacional com foco em alta renda, o SPYI11 e o QQQI11 são os maiores exemplos. Eles trazem para a B3 a estratégia americana de Covered Calls (venda de opções de compra cobertas). O SPYI11 compra ações do índice S&P 500 (as quinhentas maiores empresas dos Estados Unidos), enquanto o QQQI11 foca no índice Nasdaq (empresas de tecnologia). Ambos geram os chamados dividendos sintéticos.

Tomando o SPYI11 como exemplo, com dados de julho de 2026, o fundo possuía um patrimônio de 278,6 milhões de reais e uma taxa de administração de 0,83% ao ano. A eficácia da estratégia de opções para gerar fluxo de caixa fica evidente no seu Dividend Yield: o fundo distribuiu 11,88 reais por cota em doze meses, alcançando um retorno em proventos de 11,10% sobre a cotação de 107,00 reais. Contudo, confirmando a teoria de que o dividendo sintético limita o ganho de capital, o preço da cotação do fundo caiu 5,37% no mesmo período, mostrando que o investidor precisa olhar para o retorno total (dividendos somados à variação da cota).

Data-Com e Calendário: Quando os ETFs pagam os rendimentos?

Data-Com (data com direitos) é a data limite na qual o investidor precisa ter a cota do ETF registrada em seu nome para ter o direito de receber o próximo dividendo. Se você comprar a cota no dia seguinte, conhecido como Data-Ex (data ex-direitos), você só terá direito aos rendimentos do mês subsequente.

A maioria dos ETFs de renda na B3 adota um calendário mensal bastante previsível. Geralmente, o fundo anuncia o valor do dividendo no último dia útil do mês ou nos primeiros dias úteis do mês seguinte. Esse anúncio já define a Data-Com. O pagamento em si costuma cair diretamente no saldo da conta da corretora na metade do mês, por volta do dia 15.

Para acompanhar essas datas, a dica prática é monitorar a página oficial da B3 ou acessar o site da gestora do seu fundo. Esses portais publicam os Avisos aos Cotistas, documentos curtos que detalham exatamente o valor por cota, a Data-Com e o dia exato em que o dinheiro estará disponível para saque ou reinvestimento.

Tributação: Como funciona o Imposto de Renda em ETFs de Dividendos?

A tributação é o calcanhar de Aquiles dos ETFs de dividendos no Brasil, especialmente quando comparados a outros ativos de renda. Ao contrário do que acontece com alguns fundos imobiliários, os dividendos distribuídos por ETFs brasileiros não são isentos de Imposto de Renda.

Existe uma tributação fixa de 15% que incide exclusivamente sobre o valor do dividendo distribuído. A boa notícia do ponto de vista operacional é que esse imposto é o chamado Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF). Isso significa que a B3 e o administrador do fundo já descontam os 15% antes do dinheiro chegar até você. Se o fundo anuncia um dividendo bruto de um real, cairá na sua conta 85 centavos líquidos. Você não precisa gerar boletos (DARF) mensalmente para pagar o imposto sobre os dividendos, devendo apenas declarar os valores recebidos na sua Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda.

Além disso, há a tributação sobre o ganho de capital. Se você comprar a cota de um ETF por 100 reais e vendê-la meses depois por 120 reais, terá um lucro de 20 reais. Sobre esse lucro da venda, você também precisará pagar 15% de Imposto de Renda. Diferente das ações, os ETFs não possuem a isenção de imposto para vendas de até 20 mil reais no mês. Qualquer venda com lucro gera obrigação de pagamento do imposto via DARF até o último dia útil do mês seguinte à venda.

ETF de Dividendos vs. FIIs: Qual a melhor opção para Renda Passiva?

O investidor brasileiro que busca renda mensal inevitavelmente fará essa comparação. Ambas as classes de ativos são excelentes, mas possuem características que agradam perfis diferentes. Os Fundos Imobiliários (FIIs) possuem a grande vantagem da isenção de Imposto de Renda sobre os dividendos mensais para a pessoa física (cumpridas as regras básicas de liquidez do fundo). Além disso, os FIIs possuem o lastro em ativos reais, como galpões logísticos e shoppings, o que traz uma sensação de tangibilidade que o investidor conservador adora.

Por outro lado, os ETFs de dividendos brilham pela diversificação instantânea. Com uma única cota de 100 reais, você investe no lucro de dezenas de grandes bancos e indústrias, ou até mesmo no mercado americano de tecnologia através de ativos como o QQQI11, recebendo em reais o reflexo de lucros em dólar. A gestão dos ETFs é passiva (segue regras matemáticas), o que reduz as taxas e elimina o risco do gestor tomar decisões ruins discricionariamente.

Se você tem dúvidas sobre como balancear sua carteira de forma inteligente entre FIIs, ações e ETFs, nós oferecemos serviços especializados de consultoria de investimentos. Nossa oferta visa estruturar um portfólio robusto, focado em renda passiva, analisando seu perfil de risco para encontrar o ponto ideal de alocação entre esses ativos. Uma carteira bem montada não precisa escolher apenas um lado, pois ETFs e FIIs são complementares. Enquanto os fundos imobiliários ancoram a renda no setor de tijolos e crédito no Brasil, os ETFs podem diversificar suas fontes de dividendos expondo seu patrimônio a grandes empresas locais e internacionais.

FAQ – Perguntas Frequentes

Quais ETFs pagam dividendos mensais na B3?

Os principais ETFs que distribuem renda mensal no Brasil atualmente incluem o NDIV11 e o DIVD11 (focados no Ibovespa), e o SPYI11 e o QQQI11 (focados nos índices S&P 500 e Nasdaq com estratégias de opções). Há também fundos ligados ao mercado de criptomoedas, além de BDRs de ETFs estrangeiros que pagam proventos periódicos.

Qual o melhor ETF de dividendos do Brasil?

Não existe um melhor absoluto, pois a escolha depende do seu objetivo financeiro. Para receber dividendos genuínos das maiores empresas brasileiras, o NDIV11 e o DIVD11 são os mais populares. Já para buscar renda em dólar no mercado americano por meio de dividendos sintéticos (com operações de opções que aumentam o rendimento, mas limitam o ganho de capital), o SPYI11 se destaca pelo alto yield histórico.

Os dividendos de ETFs têm isenção de Imposto de Renda?

Não. Diferente do que ocorre com as ações (para vendas de valores mais baixos) e com a maioria dos Fundos Imobiliários, os dividendos distribuídos por ETFs brasileiros sofrem desconto de 15% de Imposto de Renda. Esse valor é retido direto na fonte, de modo que o investidor já recebe o dinheiro líquido na conta da corretora.

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Marcelo Fayh

Marcelo Fayh é analista de investimentos certificado (CNPI) e consultor de investimentos credenciado na CVM, fundador da US Wealth Consultoria de Investimentos (também credenciada na CVM).

Atua no mercado financeiro desde 2005: foi sócio de um escritório de agentes autônomos por quase 9 anos, trabalhou com M&A por 4 anos e é analista e consultor de investimentos há mais de 7 anos, especializado em Fundos Imobiliários (FIIs) e ETFs. É autor do livro Método Fayh: Descubra Como Escolher os Melhores Fundos Imobiliários do Mercado e Viva de Renda.

No blog, traduz os documentos oficiais dos fundos — fatos relevantes, relatórios gerenciais e informes — em análises acessíveis.

O conteúdo é educativo e não constitui recomendação de investimento.

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