A TG Core Asset, gestora do fundo imobiliário TG Ativo Real (TGAR11), publicou na quinta-feira (25 de junho de 2026) um amplo comunicado ao mercado. O documento tem o objetivo de prestar esclarecimentos aos investidores sobre a governança, a gestão da carteira e a estratégia de alocação da equipe, que passa a focar gradativamente em operações de crédito para se adaptar ao atual cenário econômico.
Conclusão do ciclo de obras e foco no crédito
O fundo adotou historicamente uma postura híbrida, combinando o desenvolvimento de imóveis com a compra de ativos financeiros. Segundo a gestora, a venda de posições estratégicas ao longo dos últimos anos serviu para garantir a liquidez necessária para finalizar os projetos imobiliários. Com esse esforço, mais de 95% das obras da carteira atual de desenvolvimento já se encontram totalmente concluídas.
Agora, diante de taxas de juros elevadas no país e maior seletividade dos bancos na oferta de empréstimos, o TGAR11 identificou uma relação de risco e retorno mais favorável no crédito imobiliário. A equipe ressalta que essa transição não significa o abandono do desenvolvimento físico de imóveis, mas uma adaptação dinâmica para proteger o capital e otimizar os ganhos, aproximando o veículo das características tradicionais dos fundos de recebíveis imobiliários.
A mudança busca contornar os desafios impostos pela economia atual. O custo alto do capital afeta diretamente o ritmo de vendas do mercado imobiliário e prejudica a transformação das parcelas a receber em dinheiro em caixa, o que justificou a postura mais defensiva do fundo.
Regras de dividendos e auditoria contábil
Um ponto central do comunicado foi o reforço sobre a integridade das demonstrações financeiras. O fundo informou que a Ernst & Young auditou os balanços de 2020 a 2024 sem qualquer tipo de ressalva, e a KPMG assumiu o processo de auditoria a partir de 2025.
A gestora também foi enfática ao explicar as políticas de rendimentos do veículo, buscando mitigar ruídos do mercado. Havia dúvidas entre os investidores se o fundo estaria distribuindo o valor original investido (o principal da dívida ou do imóvel) como lucro. A TG Core esclareceu que os recursos vindos da devolução de capital não podem ser usados para pagar dividendos, por restrições regulatórias. A distribuição segue estritamente o resultado que transita pelo caixa, sem usar a devolução do dinheiro inicial como se fosse renda.
Para acompanhar a saúde dos projetos de perto, o fundo utiliza a empresa Trinus Plataforma, que monitora atualmente cerca de 1.400 operações de diversos clientes com uma metodologia padronizada de controle técnico, operacional e financeiro.
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Aposta no interior e no agronegócio
Diferente de muitos fundos concentrados nos grandes centros urbanos, o TGAR11 mantém uma alocação expressiva no interior do país. As regiões do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), Triângulo Mineiro e interior paulista são as escolhas deliberadas da gestão.
A empresa defende que essas praças possuem fundamentos econômicos sólidos, impulsionados pela força do agronegócio. Esses locais registram crescimento populacional acima da média nacional, aumento constante de renda e sofrem com uma demanda habitacional que ainda é pouco atendida por construtoras estruturadas. Ao evitar mercados já saturados nas capitais, o fundo afirma conseguir desenvolvimento com menor concorrência e margens de lucro mais atrativas.
Oscilações recentes e contexto do fundo
O posicionamento assertivo da gestão ocorre após meses de intensa volatilidade e desvalorização para as cotas do fundo na bolsa de valores. Nos meses de maio e junho de 2026, a B3 enviou ofícios oficiais questionando o fundo sobre oscilações atípicas no volume de negociações e quedas bruscas de preço. A administradora Vórtx havia respondido, à época, que não existiam fatos relevantes ocultos que justificassem tais movimentos.
De acordo com dados de competência de maio de 2026, o TGAR11 possui um robusto Patrimônio Líquido de R$ 2,56 bilhões e conta com o apoio de 137.575 cotistas. No final de junho de 2026, as cotas eram negociadas com forte desconto no mercado secundário, refletido em um indicador P/VP de 0,50 (quando o valor patrimonial real por cota era de R$ 108,79). Neste mesmo cenário, o fundo apresentava um Dividend Yield Mercado nos últimos 12 meses de 18,19%, tendo entregado um rendimento de R$ 0,72 por cota no mês de referência mais recente.
O que isso significa para o cotista
Comunicados analíticos como este ajudam o investidor a entender a realidade nos bastidores da carteira, separando os fatos concretos do ruído gerado pelas oscilações da bolsa. O documento evidencia que o fundo conseguiu finalizar quase a totalidade de suas construções físicas e, de forma pragmática, busca refúgio no crédito imobiliário para surfar a maré de juros altos.
Para o cotista, a mensagem principal é a de que a estrutura do fundo segue auditada e fiel à sua tese original de desenvolvimento em regiões onde o agronegócio gera muita riqueza. A transparência na explicação de que o fundo não distribui patrimônio disfarçado de lucro traz segurança adicional sobre a qualidade dos rendimentos mensais que caem na conta.
Fonte: Comunicado ao Mercado divulgado em 25/06/2026 no Fundos.NET, sistema de divulgação de informações da B3/CVM. Ver documento oficial (PDF) →
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Este conteúdo possui finalidade exclusivamente informativa e educacional, não configurando recomendação de compra, venda ou manutenção de ativos. Os dados apresentados referem-se a eventos passados ou a documentos públicos oficiais divulgados pelo fundo. Rentabilidade passada não é garantia de rendimentos futuros. Consulte sempre um profissional qualificado antes de investir em Fundos Imobiliários e leia o regulamento do fundo.







